terça-feira, 28 de abril de 2009

Voltar.


~Um ano atrás~
6 de agosto de 2002.

Por ali estava escuro, a não ser por alguns feches de luz que se incomodavam a chegar para iluminar a casa de madeira, que era pequena, e a primeira vista parecia realmente desconfortável. Algumas plantas cresciam ao seu redor, não dava pra ver se era mato, ou algumas trepadeiras. Algum tipo de musgo estava nas telhas, deixando o local verde escuro, e úmido... Realmente não era agradável.
Algumas batidas na porta empoeirada ecoaram. Nenhuma resposta foi obtida. Mais algumas batidas. Dava para ouvir passos pela casa, se você estivesse lá. A porta, que parecia ter sido feita a mão, como toda a casa , foi aberta com um barulho das dobradiças enferrujadas, arranhando e fazendo um som irritante. Havia um lampião em algum ponto da salinha atrás da porta, pois dava pra ver apenas um vulto do corpo de um homem não muito alto, que parecia ter acordado agora, pois estava com os ombros baixos quase como se estivesse sonâmbulo. Ele examinou o rosto do homem que estava a porta da sua casa e um pequeno sorriso brotou em seus lábios.
- O que faz aqui, a uma hora dessas. Se queria chegar assim, de supersa, que chegasse mais cedo.
- Eu não vim pra ficar, só queria conversar com você, Bruno. E queria vir a uma hora que Dorothy não estivesse acordada.
- Sinto que é algo importante, vai entrar?- Falou Bruno, se escorando com uma das mãos na porta. Estava sem camista e seu abdômen parecia um pouco suado pela noite quente de verão. O garoto tinha a aparência de um garoto de 16 anos, mesmo sendo robusto para aquela cara jovial. Seu rosto era quadrado, com um maxilar avantajado, e uma cicatriz rosa clara passava por cima de seu olho direito, e passava pelo contorno de seu nariz, e acabando em baixo do olho esquerdo, que brilhava no seu tom castanho avermelhado. Seu sorriso na escuridão, apenas mostrava os dentes brancos e alinhados.
- Não, só que preciso um favor seu, é muito importante.
- Lá vem você com seus favores,mano.
O jovem passou a mão nos cabelos negros e bagunçados, tentando ajeita-los , sem muito resultado. Engoliu a seco. Não sabia se seu irmão Bruno aceitaria ou não a sua proposta, pelo bem de seus próximos anos ali em Fayette.
- Eu queria que você e Dorothy se mudassem. – Ele falou em tom não muito audível, com a cabeça baixa.
- O que? Você acha que eu vou me mudar mais uma vez por sua causa, Allan? Você já não fez Dorothy sofrer de mais? Já não está satisfeito?
Bruno parecia irritado, porem não gritava,só falava baixo, quase aos sussurros. Realmente não queria acordar a doce e pequena dorothy.
- Meu irmão, Bruno. Por favor!
- Isso vai ser até quando? Ela realmente gosta daqui. Eu não vou impedir ela de voltar quando quiser.
-Pelo menos um ano. Por favor, eu imploro.
- Um ano, Allan. Um ano. Parece que não basta pra você todos os outros anos que já demos pra você se ajeitar! Pelo amor de Deus. – Bruno falava e ia se afastando. –
Até mais, irmão.
- Obrigada. Diga a Dorothy que eu a amo.
- Digo você mesmo, quando voltarmos.
A porta se fechou com um baque surdo, não muito alto. Allan encarou a porta por alguns segundos, e depois virou e continuou a andar para a floresta, pelo caminho que ele mesmo criara na Woodcarper. Seu andar rápido já estava parecendo quase uma corrida agora, parecia nervoso. Parecia que só queria deixar aquele lugar.

De volta a casa , Bruno não consegui dormir. Deitado na sua cama, no pequeno quarto sem iluminação que dividia com a pequena Dorothy, fitava o teto, um pouco preocupado com seus futuro e de seu irmão. Sabia que seria fácil convencer a irmã de viajar, pois era o que mais fazia. Mas ela ia querer voltar, em um ano no Maximo. Ele tinha certeza disso.

Bruno só percebeu que havia dormido, quando sentiu duas mãos quentes em seu rosto, falando baixinho.
- Bruno, acorde. Já são duas da tarde!
As mão delicadas eram de Dorothy, a agradável mulher nas feições infantis de uma menina de 9 anos de idade. Era ruiva, e seus cabelos compridos e cacheados vinham ate o meio das costas. Os olhos eram de um azul-claro profundo que pareciam ter sidos lindamente pintados em sua face, assim como a boca pequena e rosada. Tinha algumas sardinhas no rosto e não passava de m metro e quarenta de altura. Trajava um vestido azul, assim como seus olhos.
- Vamos Bruno, você tem que comer alguma coisa!- falava ela com uma voz fininha e encantadora, os cabelos dela caiam sobre o rosto do garoto, e isso provocava cócegas no mesmo.
- Ah Dorothy, você esta fazendo cócegas com essa sua Juba!
- Porque você é sempre tão grosso? – falou a menina, andando devagar e se sentando em uma cadeira perto da mesa, que era no mesmo cômodo que o quarto, afinal a casa inteira era apenas um cômodo. Mas ela não parecia aborrecida com o modo que ele falará,parecia conformada. Bruno sentou na cama, fitando a pequena e aparentemente delicada menina ruiva.
- Precisamos conversar, Dothy. – Ele começou, mas ela levantou uma mão no ar com um tom superior.
- Você acha mesmo que eu não estava acordada? Você as vezes realmente acha que eu sou essa menininha aqui? – Ela apontou para o próprio corpo. – Não se faça de tolo.
- Desculpe, Dorothy. Você vai se mudar comigo?
- é a ultima vez certo? Ele prometeu, não foi?
- Foi. – Falou Bruno fitando o chão. Mas realmente ele não sabia se devia confiar nas palavras de Allan, já que oscilavam tanto. – Disse que seria a ultima vez, e que um ano bastava.
Dorothy foi em direção a janela de madeira pira e as fechou num baque leve, e passou a tranca manual que elas tinham.
- Se temos de ir, vamos fazer logo, porque eu quero voltar o quão antes possível. Que dia é hoje?
- Acho que é 6 de agosto. –falou Bruno, se levantando cama , e pondo uma camiseta , que era social creme. Parecia de século passado, mesmo estando bem conservada.
- Então dia 6 de agosto do ano que vem, estaremos de volta. – Ela falou em um tom autoritário, e ele apenas deu os ombros e calçou os sapatos.
- Como quiser, Dorothy. Voltaremos daqui um ano.
E a porta se fechou por um ano.


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06 de agosto de 2003.
Todos nós andávamos por dentro da floresta, e conversamos enquanto caminhávamos até a clareira que Allan havia prometido. Não que estivesse escuro,mas as folhas densas da floresta faziam com que mesmo no sol de verão ficasse um pouco sinistra.
- Como está quente! – Disse Diulia, tirando a blusa de mangas três quartos que usava, ficando de shorts curtos e a parte de cima de um biquíni preto. Não que isso m incomodasse, mas achava meio vulgar, mas não a ponto de manda-la por de volta a blusa, pois realmente fazia calor, e eu já estava começando a suar.
Então, de repente Allan parou bruscamente, e pude ver Sandro batendo contra ele, pois estava distraído, conversando com Luciane.
- O que foi, cara?- Falou Sandro, olhando para o resto da trilha. – Algum problema, ou coisa do tipo?
- Não, é só que agora, vamos ter que cortar a trilha por mato a dentro.
- Como assim,mato a dentro? – Perguntou Giovanna indignada, e apontava para as próprias pernas. – Muito simples você dizer isso, porque não está de shorts e chinelo!
- Não foi eu que mandei você vir desse jeito, Gio. – Ele sorrio ironicamente. – é o único jeito, ou vamos pelo meio das arvores, fora da trilha, ou não vamos.
- E porque não podemos ir pela trilha, e cortamos caminho mais a frente? – perguntei, olhando pra ele, não entendendo porque cortar o caminho tão cedo, se ainda teríamos que andar mais a frente pra depois dobrar (eu ouvido ele falar para Sandro enquanto caminhávamos em silencio).
- Não me faça perguntas, garota – falou ele rispidamente, me deixando um pouco desconfortável – se querem um piquenique, - agora falou se direcionado a todos – é melhorem irem por eu estou falando. Vão por mim.
E fomos por ele. Sim, demorou mais uma meia hora para chegarmos a clareira. Não pude negar, como ninguém negou. Era linda, tinha a luz do sol e estava perfeitamente do jeito que qualquer um imaginava para um belo dia de piquenique. Enquanto eu e as gemas tirávamos as comidas das mochilas, Sandro ajudava Luciane, de um jeito romântico, a por a toalha comprida ao chão. Não é que eu sentisse ciúmes ou coisa do tipo do amor deles. Eu sentia...eu sentia um ponto de nojo. Não que eu não goste de meninos, ou coisa do tipo, é só que...eles eram tão diferente que..argh!
- Eu também acho. Falou Giovanna, olhando para o casal, jogando os cabelos pretos tingidos ( diferente dos cabelos loiros da irmã ).
- Como é?
- Não isso que você ta pensando, o quão meloso é esse romance? Porra, é nojento.
Eu não sabia se ria ou chorava por ela conseguir decodificar a minha mente, apenas assenti com a cabeça, tirando os olhos dos dois, e voltando a prestas atenção da minha tarefa de por os sanduíches em um prato branco.
Sentamos todos em um roda na toalha, rindo e conversando sobre todo o tipo de coisa. Eu realmente não sabia se eles faziam esse tipo de programa sempre, ou era só pra tentar impressionar a Prima da cidade da garota perfeita do campo. Mas mesmo que não fosse, a tarde foi realmente perfeita, e tudo bem que eu não conhecia eles muito bem, não sabia dos seus assuntos, eu fui bem recebida e gostava disso. Só que era muita informação ao mesmo tempo, eu acho. Lá, depois de passar umas duas oras, e me levantei e comecei a andar em direção a floresta, mas mesmo antes de sair da clareira, senti uma mão segurando meu braço firmemente e me puxar. Allan fazia eu ficar perto dele, como se estivesse grudada ao seu corpo. Agora eu sabia como irmãos siameses se sentiam.
- Aonde pensa que vai, - falou ele num tom frio, baixo, como se eu fosse uma inimiga ou coisa do tipo. – Lily?
- Eu vou...- Passei a mão livre nos cabelos, tirando os do rosto, precisei desse tempo pra pensar em alguma coisa. Tentei ser o Maximo de rude que pude, mas o Maximo que saiu foi uma voz fina e esquisita. – Eu vou no “banheiro”, posso?
- Não pode esperar?
-Você quer que eu faça nas calças? – falei num tom bravo, mas ainda cauteloso. E ele ainda olhou nos meus olhos, como se tivesse desconfiado, mas logo soltou meu braço (observação, ele foi muito rude.).
- Mas ande rápido, garota. Logo nós vamos ir embora, e não queremos perder ninguém por ai.
- Pode deixar, papai. – falei em deboche, passando a mão onde ele segurara.
Comecei a entrar a floresta a dentro, e a minha maior vontade era de chorar. Eu simplesmente odiava quando alguém agia daquela forma comigo, ainda mais quando eu nunca tinha nem se quer levantado a voz para a mesma pessoa. Isso me deixava muito, muito irada. Só pude perceber que estava correndo pela floresta com lagrimas nos olhos, quando não consegui desviar de uma arvore e bati com o ombro esquerdo nela,e caí sentada no chão. Coloquei o rosto entre joelhos e chorei mais. Sei que não tinha muito motivo, porque muitas pessoas na minha vida já tinha sido rudes,patéticas e coisas muito piores comigo, mas não tão rápido, e nem por nada. Mesmo com os olhos cerrados com força, as lagrimas escapavam por eles, e eu podia ouvir os meus próprios soluços,e então u ouvi uma voz. Uma voz de uma criança. E parecia tão animada e feliz, que por alguns instantes me fez sentir que nem ela, sem nenhuma preocupação, apenas feliz. Mas as risadas e as palavras baixar quase sussurradas pararam, como se alguém tivesse me acordado de um sonho bom, e logo os meus olhos já estavam se enchendo de lagrimas, e eu não as segurei, só voltei a chorar, sozinha no meio da floresta. Naquela época eu era tão infantil, que nem percebia o perigo que eu estava correndo.
Depois de alguns minutos calada, eu comecei a ouvir outras vozes, e cheguei a pensar que estava meio louca, ou que eles, os meus amigos, tinham saído pra me procurar. Levantei o rosto, limpando o choro com a blusa, e me levantei, olhando em volta.
Caminhei para o nada, seguindo os sussurros, que cada vez pareciam mais fortes, conversas mais nítidas. Podia até ouvir algumas palavras, rudes, e outras calmas, algumas risadas se me concentrasse bem. Até que vi uma clareira, no meio das arvores. Uma casa antiga estava ali. Era coberta por limo, e em certos lugares algumas trepadeiras. Parecia ter sido construída a mão, suas janelas eram talhadas. Uma criança ruiva saiu da casa correndo, e sorria, e eu me assustei, pulando pra trás de um arbusto, olhando entre as folhas. Ela devia ser a dona da voz angelical e infantil que eu tinha ouvido enquanto chorava. Logo atrás dela uma linda mulher loira, de cabelos encaracolados desde o topo da cabeça saiu atrás dela. O sorriso dela era cínico, o olhar cinza penetrante, assim como sua boca fina e incrivelmente rosa. Da onde eu estava não podia saber se era batom ou era a cor natural. Suas roupas eram simples, mas no corpo bonito dela pareciam sofisticadas de mais para um passeio na floresta. Ela pareceu olhar para o arbusto onde eu estava então me abaixei e fiquei de costas, esperando que não tivessem me visto.
- Viu aquilo, Dorothy?- Perguntou a loira, com uma voz fria. Não parecia falar com uma criança.
- Aquilo o que, Elle?
- Hm, nada. Esqueça. – Falou, eu não podia saber se ela estava ainda olhando pra cá, pois eu não me atrevia a me mover do chão, talvez só agora eu entendesse o perigo.
- Porque vocês estão paradas aí? – Falou uma voz masculina, não era grossa, mas não era infantil. Tinha um timbre interessante, e o sotaque forte britânico soava em cada letra que falava. – Porque não desfazem suas malas, hein?
- Não enche, Bruno.- Foi a pequena Dorothy que falou - Temos o resto de nossas vidas pra desfaze-las. A viagem foi longa, e eu estou cansada.
- É, Bruno. Deixe de ser tão controlador, e chato.
- Cale a boca, Elle. Ninguém te chamou na conversa.
- Vem calar você, franguinho.
Sabia que agora eles estavam demasiadamente ocupados discutindo, e então me ajoelhei atrás do arbusto vasto para espiar de novo. O garoto de estatura média e cabelos raspados, como se tivesse saído do exercito a pouco tempo estava agora encarando a loira. Seus braços cruzados no peito faziam parecer mais forte do que já demonstrava ser, e não tive tempo de ver a cor de seus olhos, pois me abaixei de novo em desespero, quando os mesmos olhos que eu ainda não sabia a cor entraram os meus. Tinha certeza que ele tinha me visto, e logo o ouvi gritar.
- Quem está ai? EI! Eu vi você!
Ele parecia irritado e intrigado porque eu não respondia. Eu estava assusta de mais, e agora me movia,engatinhando nervosa dali.
- Paradinha aí, garota! – Brandou a voz fria e cínica da loira alta, e eu fiz exatamente o que ela mandou, parei, ficando de quatro sobre as folhas secas em decomposição pelo calor do verão. – Vire-se.
Me virei lentamente, com os olhos um pouco assustados demais, e olhei para a figura contra o sol, loira, alta e linda, com as mãos na cintura. Estava mais certo de mim do que eu queria. Eu conseguia toca-la se esticasse a mão.
- Você estava nos espiando? – Falou a pequena ruiva, que saia de trás da loira, olhando-me interessada, com um sorriso fofo no rosto. Não parecia brava como a loira, ou como o garoto adolescente que agora estava ao lado, de cara fechada pra mim.
- Não, eu não estava! – Eu estava com as mãos levantadas, balançando-as. Parecia uma retardada mental ali, tentando me explicar.
- Ela é demente? –Perguntou a loira, agora fitando o rosto do Garoto, não mais rude, mais calmo.
- Eí! Não me chame de demente, eu não sou ok? – Falei, me levantando.
-Cale a boca!- Falou ela apontando pra mim - Não se aproxime.
A ruivinha revirou os olhos e se aproximou de mim, encostando em meu braço.Parecia me examinar, olhando meu rosto, meu corpo, como se eu pudesse ser algo que não parecia ser.
- Ta tudo bem, Elle. Ela só deve estar perdida, a deixe ir.
- Você está perdida? – Perguntou o garoto. Olhando meu rosto, agora ele sorria irônico.
- Eu só me afastei do um grupo, estávamos fazendo um piquenique, e daí eu me afastei. Mas eu já estava voltando. – Apontei pra trás com uma mão, enquanto com a outra limpava meu jeans sujo de terra molhada.
- Hm, tudo bem. Você sabe como chegar aonde quer chegar? – Acho que pelo meu rosto, ele pode perceber que estava totalmente perdida, sem saber pra onde tinha que ir. – Se quiser, eu posso te guiar.
Olhei para a ruivinha, e ela sorria pra mim, encaracolando uma mecha nos dedos. Depois fitei o rosto rude e forte da loira, que me olhava com desprezo.
- Não, está legal. Eu posso me virar.
- Te certeza? – Perguntou a menina sorrindo, com um rosto de inocência.
- Claro. – Eu já estava andando, em linha reta, para longe deles, até que ela de novo falou:
- A propósito! Somos os Vernecs.
- Ah, - Eu parei e me virei para olhá-los, e eles, todos, me olhavam. - Eu sou Lily. Lilian Simon.
Nenhum falou nada, então continuei a andar, sem olhar para trás. EU esperava que algum deles jogasse uma pedra, ou atirassem em mim. Seja lá o que eles faziam naquela casa, morassem ou traficavam drogas, era estranho. E o sobrenome, eu não sabia. Mas parece que eu já tinha ouvido, em alguma conversa com meus “novos amigos” ou lido em uma revista, eu já simplesmente não sabia.
Depois de andar mais uns 20 minutos ouvi alguém gritar meu nome, e gritei em resposta um “aqui!”. Era Allan que gritava, e agora ele corria feito um loco em minha direção. Com força, ele me pegou pelos dois braços de frente, e me encostou com uma incrível violência contra uma arvore.
- Allan, pare com isso! Ta machucando, seu idiota!
- Onde você estava? Porque se afastou?
- Eu só me perdi... AÍ! Para de me apertar! –Mas simplesmente ele não parava, parecia que quando eu pedia para ele parar, ele provocava e apertava mais forte.
- O que eu tinha falado pra você, Lilian? HEIN? O QUE EU TINHA TE PEDIDO?
Ele gritar daquela forma, com ar desesperado e decepcionado comigo, me fazia também entrar em desespero, e ficar ofegante. Achava estranho, porque só ele me tratava assim, como se eu fosse sua irmã mais nova, ou coisa do tipo, e era só a mim que ele tratava desse jeito. Meus olhos encheram de lagrimas, mas não era pelos braços que ele apertava, mas pelo jeito que gritava, ou rugia pra mim. Ao me ver chorar, ele soltou meus braços, e me envolveu num abraço, e isso me fez sentir esquisita. Que tipo de homem ele era?
- Me perdoe. Eu só fiquei preocupado. EU me exaltei.
- Me solta. – falei numa voz baixa e melosa pelo choro.
- Como é?
- ME SOLTA!
Fali quase gritando, e ele fez o que eu pedi, me olhando sem expressão no rosto. Limpei, pela segunda vez as lagrimas na minha blusa. Ele se virou, e agora em nossa direção corria Sandro, acompanhado de Mauricio. Sandro correu pra mim, olhando meu rosto ainda um pouco molhado pelas lagrimas.
- Porque está chorando, Lily?- Como eu não respondi, ele olhou para Allan e parecia agora com raiva – Porque ela está chorando, Allan?
- Eu não sei cara, ela que devia responder pra você. – Allan falou levantando os ombros, e saindo em direção a clareira, que dava ser vista da onde estávamos. Mauricio me abraçou pelos ombros, e olhou meu rosto.
- Você ta legal? Ele fez alguma coisa?- Ele perguntou.
- Não, eu to bem. Eu só me perdi e fiquei nervosa...
- Tem certeza, Lilian? – Perguntou Sandro, ainda olhando as costas de Allan.
- Tenho. Vocês podem me levar pra casa? Estou um pouco cansada.
- Claro. Vamos.
E fomos, depois de um pouco de caminhada, e de algumas perguntas vidas dos outros, chegamos ao carro, e todos calados fomos até a frente de minha casa, onde desci da pick-up. Alguns sorriram pra mim, outros nem olharam enquanto eu descia, parecia que eu tinha estragado a tarde deles. Olhei pro céu, ainda com algumas faixas de sol no mesmo. O carro acelerou, e joguei um aceno mongol ao mesmo. Me virei e fui até o hall da casa, e pus a mão na maçaneta, e girei. Ainda não havia ninguém em casa, então tirei o bilhete da geladeira e joguei no lixo. Me deitei no sofá, e na manhã seguinte acordei na minha cama.